Dois Navegantes

“Essa música é uma das mais belas do disco. Foi composta por Almir que na época começava a se aventurar pelas composições. A poesia, se você reparar bem, é belíssima.” (por Zé da Flauta)

Aqui estamos juntos
Ao por-do-sol
Dois navegantes
No mesmo barco

Aqui estamos sós
Ao por-do-sol
Andando lado a lado
No mesmo mar

Não deixes a vela apagar
Nem o mastro cair
Nem a corda prender

Só deixes o vento que solta
Teus cabelos
Espelhos dos meus

Te soprar
E soprar em mim
Pra depois
Deslizar em ti
Deslizar em mim

“Já essa é de Marco Polo. Acho que é uma música muito íntima, diz bastante sobre quem ele é.” (por Zé da Flauta)

Lá fora é esse mormaço
Lá fora é esse cansaço

E essa busca histérica
Por uma bola vermelha
E esta busca histérica
Por uma bola vermelha

Lá fora é esse sol aberto
Lá fora é essa árvore

E o silêncio costurado
Na boca de um guarda
E o silêncio costurado
Na boca de um guarda

Lá fora é esse pássaro
Lá fora é essa menina

E a tempestade de sabres
Amarela e linda
E a tempestade de sabres
Amarela ainda

Não se enterre na solidão
Não se enterre na solidão
Não se enterre na solidão
Não se enterre na solidão

Não se entregue

 

Lá Fora

Três Margaridas

Composição psicodélica, o som das violas lembra bastante os Beatles da era Sgt. Pepper’s.

Dormem no círculo branco
Da fingida inocência
Três margaridas

Uma é sapeca e morena
Outra é loura e coquete
A terceira, ruiva e sardenta
Morde uma dúvida entre os dentes

Essa dúvida vermelha
Maçã de pedra estralando
Guarda a semente vermelha
De uma transformação

Ouve-se uma canção
Ouve-se uma canção

Dormem no círculo branco
Da fingida inocência
Duas margarida

A terceira, ruiva e cantante
Escapuliu colorida com um amante
Para outra vida

Por que

“A bicha estoura com um boggie anos 1950, depois se transporta prum marasmo calmo e me lembra muito a melodia de La Belle de Jour que alceu fez depois. ‘Por que, iê iê? Hahaha... Nada de novo no fronte?’” (por Juvenil Silva)

Nada de novo no front
E na retaguarda também
Tudo normal desde ontem
Quando houve sol e alguém
Cantou... yê, yêi..

Alguém de cabelos longos
E doce sorriso também
De um tempo que hoje vai longe
Longe do mal e do bem
Do amor, quem viu?

Eu sou da cidade
Mas nasci no mar
Tudo que eu quero é cantar
Por enquanto

Eu sou da cidade
Mas nasci no mar
Tudo o que eu quero é chamar
Teu nome

Nada se move no monte
E o sol mergulha no mar
Vento e silêncio na ponte
E tudo se perde no ar
Por que?

 

Momento na Praça

“Paisagens sonoras, é a mais lisérgica. A melodia e a letra tem clima de sonho e viagem psicodeliciosa.” (por Juvenil silva)

Primeiro as pernas voaram
De borracha, de nada
Ou músculo leve
Salto livre
O suficiente pra planar
E o corpo todo foi atrás

Em cima, embaixo
dos lados, no meio
Centro do mundo

E os violões brilharam sobre a noite
Enquanto as lâmpadas de mercúirio
Iluminaram a praça
Caracóis, pedras e lesmas
Pernas roçam de leve o chão

E os olhos abertos
E o sorriso
E os olhos abertos
E o sorriso
E os olhos abertos
E o sorriso

De quem se liga no mar
De quem se liga no mar
De quem se liga no mar
De quem se liga no mar

“Poética urbana, saudosa, começa bem mansa, meio folk barroco, e tem aquele groovie triunfante no final, com som de rock feroz de Ivinho e grito derradeiro de terror no fim. Maior barato.” (por Juveniil Silva)

Se eles procurarem direitinho
Vão ver cinzas no meu ninho
Vão saber que houve amor

Era um cidade mágica
Deitada à beira de uma praia larga
Ela é minha namorada
É minha namorada
É minha namorada

Era uma cidade grávida
Calada à beira de uma nova estrada
Vera, já foi tão animada
Agora está morgada
Não pensa mais em nada

Só pra te ver
Eu fui morrer, nadar com as sereias
As sereias
A pedra branca
Era um fantasma deitado na areia

Não me pergunte o que eu já sei

Oi, mamãe, aqui estou eu
O seu filho ainda não morreu
Dizem até que ele nasceu outra vez

O Delano vai muito bem
Arranjei aqui um bem
A cidade vai mais bonita
Porém...

Cidade Grande

 
 

Seu Waldir

“Paisagens sonoras, é a mais lisérgica. A melodia e a letra tem clima de sonho e viagem psicodeliciosa.” (por Juvenil silva)

Seu Waldir, o senhor
Magoou meu coração
Fazer isso comigo, Seu Waldir
Isso não se faz, não

Eu trago dentro do peito
Um coração apaixonado
Batendo pelo senhor
O senhor tem que dar um jeito
Se não eu vou cometer um suicídio
Nos dentes de um ofídio vou morrer

Estou falando isso
Pois sei que o senhor
Está gamadão em mim
Eu quero ser o seu brinquedo favorito


Seu apito, sua camisa de cetim

Mas o senhor precisa ser mais decidido
E demonstrar que corresponde ao meu amor
Pode crer
Se não eu vou chorar muito, Seu Waldir
Pensando que vou lhe perder
Seu Waldir, meu amor...

“Essa música foi uma das que apresentamos de forma diferente no show de 1974. Israel, nosso baterista, teimou para que a tocássemos em ritmo de maracatu. Tentamos e deu certo!” (por Almir de Oliveira)

Hei! Man
Voce precisa correr mais riscos do que eu
Hei! Man
Pobre de quem não percebeu
Hei! Man
Voce precisa correr tanto risco quanto eu
Hei! Man
Pobre de quem não se perdeu

Ela subiu pela colina
Correndo e vestida de amarelo
Corpo suado e maneiro
Ela me viu e não se escondeu
Uma sensação hã-hão me deu
Não quero nem saber
Rolei com ela pelo chão

Hei! Man
A vida é feita de pedaços do céu
Hei! Man
Pobre de quem não teve o seu
Hei! Man
A vida é feita de pedaços do céu
Hei! Man
Pobre de quem não teve o seu

Ela subiu pela colina
Correndo e vestida de amarelo
Corpo suado e maneiro
Ela me viu e não se escondeu
Uma sensação (hã-hão) me deu
Não quero nem saber
Rolei com ela pelo chão

Hei! Man

 

O Pirata

Um dos sucessos do disco, a letra tem um certo tom melancólico. Muitos afirmam que esta é uma das mais belas cancões do Ave.

Não se iluda, minha calma não tem nada a ver
Sou bandido, sou sem alma e minto
Minha casa é o reino do mal
Meu pai é um animal
Minha mãe há muito que enlouqueceu
Só resta eu com a minha faca e a minha nau
Só resta eu com a minha faca e a minha nau

Sou pirata, solitário, sem mais nada
Sem bandeira, sem espada, no mar pra viver
Sangue e vinho derramados no convés
Sons de gaitas, violões e pés
Quando de repente surgem dez canhões
Era o Barba Negra com a sua turma e suas canções
Era o Barba Negra com a sua turma e suas canções

 

 

 

Não me ame, eu não quero ver você assim
Vá-se embora, eu não choro, sei cuidar de mim
Eu não tenho todas essas ilusões e apesar de ter tantos corações
Minha guerra nunca, nunca vai ter fim
Sim, sim eu sei, faço meu sorriso e faço minha lei
Sim, sim eu sei, faço meu sorriso e faço minha lei

 

Sou pirata, solitário, sem mais nada
Sem bandeira, sem espada, no mar pra viver
Sangue e vinho derramados no convés
Sons de gaitas, violões e pés
Quando de repente surgem dez canhões
Era o Barba Negra com a sua turma e suas canções
Era o Barba Negra com a sua turma e suas canções
Era o Barba Negra com a sua turma e suas canções

“A manifestação de doido doído de amor, a letra te, uma pegada bem crônica mórbida. A música mais pesada e selvagem deles tinindo durante todo o desespero que é essa canção fulminante.” (por Juvenil silva)

Quando eu botar fogo na roupa
Você vai se arrepender
Do que me fez
Você vai ver meu corpo em chamas
Pelas ruas... Oh, yeah

E o povo todo horrorizado
Iluminado pelo meu fulgor mortal
Eu vou dançar
Girando o corpo incendiado
Até cair no chão... oh, yeah

Iê iê ê ê ê

O grito agudo das sirenes
Dos bombeiros
Alertando a multidão
Alguém falando que era um louco
No céu negro, a lua cheia a brilhar

Segure a mão de uma criança
A mão gelada
E a mãe gritando: "Não e não!"
E eu tão feliz
Girando colorido
Sob as chamas do luar, oh yeah

Iê iê ê ê ê

Quando eu gritar não se arrepie
Lembre apenas
Das contrá
rias que me fez
Saia correndo e mergulhe
Assim vestida
Lá no mar... oh, yeah

Mas não vai ter mar que me salve
Da alegria deste salto
Em fogo e luz
Olhe pra mim
Essa é a peça de teatro
Mais bonita que eu já fiz, oh yeah

Iê iê ê ê ê

Depois a noite há de descer gelada
Sobre os corações
De quem souber
E alguém dirá que foi
O primeiro a ver... oh, yeah

A presença selvagem
De um clarão vermelho
Rodopiando pelo chão
Esse sou eu
Dorido, dolorido
Colorido e sem razão
Ou não...

Corpo em Chamas

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